1964: Em meio à tantas divergências sociais, políticas e ideológicas, Eva encontra-se perdida. No caos brasileiro da ditadura que assolava o país, não era o momento ideal para ser mulher, negra e solteira. As dificuldades só aumentam quando uma gestação atinge o ápice. Precisando se esconder para proteger sua vida, ela enfrenta muito mais do que a fome ou a sede. Alimentando-se de forças inesperadas, Eva traça seu caminho conflituoso passando por cima de cada novo obstáculo. Uma história contada a partir de cartas memoriais deixadas para uma filha com bastante dor e mil dúvidas para carregar. A visão do caos durante a guerra, e da guerra depois do caos.
No sertão causticante da Paraíba, onde a fome morde e o sol queima a terra estéril, Maria das Dores, jovem de 23 anos, luta com unhas e dentes para sustentar sua família à beira do colapso. Sua mãe, Dona Joana, é devorada pelo Alzheimer, perdida em memórias que desmoronam como castelos de areia. Seu pai, Antônio, um homem bruto esculpido pela dureza do campo, recusa-se a ceder, arando o chão seco com teimosia que beira a loucura, o pilar que sustenta a narrativa com força crua.
Maria, vista como a filha perfeita, carrega um segredo que a sufoca, uma verdade proibida num lugar onde o preconceito corta mais fundo que a seca. Pronta para "morrer onde ninguém a conheceu", ela enfrenta o dilema entre salvar os pais ou buscar a própria liberdade. Cada dia é uma batalha contra a miséria, o silêncio opressivo e a culpa que a consome.
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