Guilherme Gomes Ferreira irá nos falar de uma das formas de punição dadas às travestis: a prisão, lugar onde o exercício de poder sobre elas funciona, desde os primeiros momentos, com a finalidade de despojá-las de si mesmas (GOFFMAN, 2007), moldá-las ao nada que se espera que elas sejam, para que, quem sabe, possam ser “ressocializadas” (risos). Isso de maneira genérica, mas o autor irá se concentrar na realidade brasileira, na qual a precariedade das instituições prisionais reflete a condição dos grupos sociais historicamente discriminados que, espera-se, estejam ali representados, orientado pelo padrão PPP (Pretos, Pobres e Putas).
Na maioria absoluta, sendo pretas, pobres e prostitutas (a sociedade que as despreza, concomitantemente, utiliza-as como objetos sexuais), as travestis, tidas ontologicamente como más e a-históricas, trazem na pele o atestado prévio do encarceramento.